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sábado, 7 de novembro de 2009

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Muitas das vezes, nós, na tentativa estranha de defesa da suposta visita da dor, deixamos os cães soltos. Escurecemos tudo, deixando tudo sem luz. Fechamos as cortinas. Trancamos as portas com chaves, cadeados e principalmente de medos. Ficamos quietinhos, quase imperceptíveis, quase nenhum movimento nesse canto arejado e escuro, pra vida não desconfiar que estamos em casa.
O problema é que, ao nos defendermos tanto da possível dor, nos protegemos também da possibilidade de lindas alegrias. É impossível saber o que a vida pode nos trazer a qualquer instante, não há como adivinhar se fugirmos do contato com ela, se não abrirmos a porta. Não há como adivinhar e, se é isso que nos assusta tanto, é isso também que nos motiva.

Tão bom quando conseguimos soltar um pouco o nosso medo e passamos a desfrutar a preciosa oportunidade de viver com o coração aberto, capaz de sentir a textura de cada experiência, no tempo de cada uma. Sem estarmos enclausurados em nós mesmos, é certo que aumentamos as chances de sentir um monte de coisas, agradáveis ou não, mas o melhor de tudo, é que aumentamos as chances de sentir que estamos vivos. Podemos demorar bastante para perceber o óbvio: coração fechado já é dor, por natureza, e não garante nada, além de aperto e emoções mofadas. Como bem disse Virginia Woolf, “não se pode ter paz evitando a vida.”
(adaptado por mim)

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